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Fátima Delgado

Publicado em: 2 Abril, 2015

Sou Fátima, tenho 52 anos e sou mãe da Inês, uma adulta de 21 anos e que nasceu com uma agenésia de corpo caloso.
Hoje, pediram para dizer algo sobre o que me liga aos Pais em Rede. Tanta coisa!!!
• A outra família que nos adota e que adotamos
• Os amigos que fazemos e com os quais se criam laços e que, por mais tempo que passe e pela maior distancia que nos separe, estes laços nunca se desfazem
• Todas as partilhas que foram feitas sobre as vivências de cada um e com as quais nos identificamos
• O desejo de alterar mentalidades para que a verdadeira inclusão seja uma realidade
Enfim, uma quantidade de razões fazem com que, para mim, tenha todo o sentido fazer parte desta família que é o PeR.
No entanto a razão principal, que de modo nenhum tira o valor às já faladas, é sem dúvida o facto de ter frequentado as Oficinas de Pais.
Como já disse em vários testemunhos anteriores, quando me foi dada a notícia do problema da Inês, a sensação que tive, foi a de que o médico “vomitou” a notícia. O mundo, naquele instante, desabou. Foi um turbilhão de pensamentos e sentimentos que passaram pela minha cabeça, que me senti desnorteada e sem chão. Não sabia como iria ser, não sabia o que fazer, apenas sabia que a minha vida nunca mais iria ser a mesma, seria mãe como já tinha sido uma outra vez, mas com uma responsabilidade acrescida.
“ Mas como será a partir de agora?” ; “ Mas como vai ser o futuro dela? Vai andar? Vai falar? “
Foram estas algumas das perguntas que fiz ao médico na altura e para as quais a resposta foi
“ Não sabemos! “
Não sabemos? Não sabemos, não era a resposta que queria ouvir daquele médico que tanto estudou!
Nos dias seguintes, apoderou-se de mim uma tristeza que me fez pensar que nunca mais voltaria a sorrir. Foi o choro e a revolta, por não ter feito nada de errado e de ter tido um filho a quem chamamos de IMPROVÁVEL.
Naquele dia, em que me foi dada a noticia, senti a falta da presença de alguém que me desse esperança no futuro, alguém que me pudesse dar “a mão” e me pudesse dizer que o mundo não acaba ali e que eu voltaria a sorrir.
Hoje, e depois ter frequentado as Oficinas, de ter feito os 3 níveis, de ser PPA (Pai Prestador de Ajuda), espero ter aquela mão, que poderá ajudar uma mãe/pai a continuar o caminho, a poder dar a esperança de que o mundo não acaba naquele dia, e que um dia, aquela mãe ou aquele pai voltará a sorrir tal como eu hoje sorrio.
Esta sim é a razão principal porque me faz todo o sentido continuar no Pais em Rede!

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