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Helena Carona

Publicado em: 24 Julho, 2015

O texto abaixo escrevi-o há 3 anos atrás:

“Olá, sou a Helena e sou mãe de uma menina, a Carolina, que nasceu há quase 7 anos (e tem holoprosencefalia semilobar) e que, para além de muito especial, é também muito alegre, comunicativa (à sua maneira, claro), mas, acima de todas as suas limitações, é muito feliz (o que todos queremos para os nossos filhos).

Francamente, não me lembro de como tive conhecimento do Pais-Em-Rede e das Oficinas de Pais, só me recordo, e muito bem, de que “Ainda bem que os conheci!”.

Quando numa família nasce uma criança com deficiência, para além de todos os medos que temos e sempre teremos, pensamos que temos de assumir o papel de SUPERPAIS: conseguimos fazer tudo sozinhos, somos inquebráveis, somos muito mais que “simples” humanos.

Ao fazer parte deste grupo apercebi-me de duas coisas que me fizeram mudar radicalmente: tenho limitações como qualquer outro ser humano e os meus medos são iguais a todos os outros pais.

Quando entrei para o grupo e começámos a falar de nós, percebi que assumir as minhas limitações e pedir ajuda para elas não era vergonha alguma mas sim uma forma de, indiretamente, ajudar a minha filha, já que estava a chegar ao limite das minhas forças. Não é porque pensamos “Eu não aguento mais sozinho/a!” que somos piores pais que quaisquer outros.

Ao pedir ajuda, estou a fazer com que tenha forças para continuar a lutar pela minha filha e por tudo a que ela tem direito; ao partilhar as minhas tarefas, torno-me uma pessoa menos exausta, logo mais feliz e disposta a estar bem com a minha filha.

A mensagem que quero aqui deixar é que este grupo ajudou-me principalmente a saber PARTILHAR (limitações, tarefas, felicidade, tristeza, etc.)!

OBRIGADA do fundo do coração J!

Neste momento o que posso acrescentar?

Muito J!!!!

A minha experiência de vida nestes 3 anos como mãe e como membro reativador de uma associação para pessoas com deficiência:

Após o 1º impacto do grupo das Oficinas de Pais, como mãe, o grande impacto veio depois, como cidadã!

Apercebi-me que a comunidade que me envolvia não respondia corretamente à verdadeira inclusão da pessoa com deficiência, não perspetivando um futuro adequado à minha filha nem a qualquer cidadão com deficiência e suas famílias.

Para superar esta situação tomei, acho eu, na minha modesta opinião J, a grande decisão da minha vida: Fazer qualquer coisa pela comunidade como cidadã e como mãe de uma criança com deficiência.

A atitude, com um grupo de pais, foi procurar soluções:

A 1ª que encontrámos foi “agarrarmos” numa associação já com estatutos definidos e com toda a parte burocrática executada e reativá-la.

A 2ª foi dar-nos a conhecer à sociedade escalabitana (por enquanto, estamos por Santarém e concelhos limítrofes).

A 3ª foi começarmos a promover projetos que promovam a inclusão da pessoa com deficiência.

E, desde que comecei com os contactos com os elementos antigos da Associação até este momento, no qual já estamos em reais atividades, já lá vão 2 anos.

Muitos me disseram: “Isso não é possível!” ou “É muito difícil!”.

Pois é, nada é fácil, também seria uma grande chatice se fosse tudo muito fácil! J

E esta noção da não existência do impossível consegui-a das reuniões das Oficinas de pais, onde me deparei com pais e mães que nunca “atiraram a toalha ao chão” e sempre acreditaram, não só neles próprios mas, acima de tudo, nos seus filhos!

Mais uma vez:

OBRIGADA PeR!

Sem vocês não seria a pessoa que hoje sou!

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