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Luísa Beltrão

Publicado em: 30 Outubro, 2014

O meu nome é Luísa Beltrão.
Tenho 7 filhos, a mais nova dos quais, a Luizinha, com 90% de incapacidade por deficiência intelectual.
Aos 11 meses levei-a a Londres e foi-me dito que se vivêssemos em Inglaterra, ela aprenderia a ler, a escrever e viria a ter uma profissão, mas em Portugal não tem hipóteses.
Sozinha, não consigo transformar Portugal, pensei, preciso de me juntar a outros que tenham o mesmo problema e queiram lutar pelos filhos.
Isto foi há 34 anos: eduquei 7 filhos, dei aulas, tornei-me escritora, lancei o projecto Quinta-Essência…
Até aos 28 anos a Luísa frequentou as melhores instituições vocacionadas para deficientes, não aprendeu a ler, nem adquiriu competências profissionais, sociais ou de via diária… e não tinha lugar na sociedade.
No Pais-em-Rede, fui aprendendo eu, experimentando, os conceitos de autodeterminação e de inclusão. Compreendi quão difícil é realizá-los sem suporte.
Há 4 anos decidi correr o risco de a retirar da instituição e levá-la a viver na Comunidade.
Valeu a pena! Tem sido uma espécie de milagre.
A Luísa ultrapassou todas as minhas expetativas e, por vezes, só vendo, como o São Tomé, me convenço.
Oficialmente com 90% de dependência por incapacidade intelectual, a minha Luísa aprende coisas novas e surpreendentes, tais como fazer um laço, vestir-se, tomar banho, fazer refeições simples… trabalhar a sério, levando a bom termo tarefas necessárias. Fez amigas na empresa, já foi convidada sozinha para jantar… uma história interminável…
AGORA, ACREDITO que a Luísa está a conquistar devagarinho a sua autonomia, e cada vez mais. Aprende fazendo e sente-se pessoa porque a levam a sério.
AGORA, ACREDITO que conseguiremos em rede, pais, famílias, técnicos, amigos, criar a mudança em Portugal, a partir de dentro:
– Uma sociedade onde cada pessoa com deficiência seja olhada como um SER completo, capaz de ser feliz e de ter um projeto de vida;
– Uma sociedade que não os torne invisíveis porque os pais trazem à rua, os apoiam na escola, promovem a sua entrada a sua entrada na vida ativa e lhes facilitam a autonomia social
AGORA, TEMOS QUE NOS UNIR para abrir caminhos de INCLUSÃO na sociedade!