Abril 2022

ISTO É INCLUSÃO! 

Enquanto esperávamos para ter quórum para iniciar a Assembleia Geral de 26 de Março, Licínia Gomes do Núcleo da Pais em Rede Beira Dão partilhou um episódio da história da Nádia. Foram estas as suas palavras:

Nádia é uma jovem de 19 anos que está matriculada no 12.º ano no Agrupamento de Escolas de Santa Comba Dão, na Escola Secundária onde ensino e acompanho um grupo de jovens com limitações muito acentuadas. Nádia tem um diagnóstico de “Encefalopatia Epiléptica com crises parciais motoras secundariamente generalizadas e crises de ausências atípias”. Foi convidada pelos colegas para participar no baile de finalistas. De início ficamos um pouco receosos já que a Nádia em situações de muita ansiedade desencadeia crises de epilepsia difíceis de controlar. Também as suas dificuldades motoras são bem evidentes o que nos fazia pensar que seria difícil a Nádia apresentar uma postura adequada, tendo em conta as exigências do evento (desfilar num palco e dançar). 

As duas jovens que colaboraram no projeto da Pais em Rede BPI Capacitar (Catarina e Linda) tomando conhecimento desta situação decidiram que a Nádia deveria participar no referido baile. Acreditaram nela apostando que conseguiria ter uma noite memorável. Organizaram-se, e com mais algumas pessoas, compraram-lhe o vestido, os sapatos e falaram com uma cabeleireira para a pentear e maquilhar.

Convém dizer que a Nádia andava delirante com toda a situação e não falava noutra coisa a não ser que “queria ir ao baile para dançar com um rapaz”. Assim, um colega seu disponibilizou-se para a acompanhar no baile e desfilar com ela (até comprou uma gravata da cor do seu vestido).

Assim foi no dia 12 de março. Às 17: 30 horas começou a ser preparada para o baile que começaria às 21:30. Antes do baile ainda foi feito um pequeno lanche convívio para aliviar alguma ansiedade…

No baile a Nádia surpreendeu a todos. “Transformou-se” noutra pessoa. Dançou todo o tempo que esteve presente e no momento do desfile participou tal como os outros colegas.

Nesta noite a Nádia sentiu-se igual aos outros e a felicidade estava estampada no seu rosto, nos seus movimentos. Os colegas acharam tudo muito natural e aplaudiram o seu comportamento, nomeadamente no momento do desfile. Os adultos é que olhavam com mais espanto, questionando-se como foi possível aquela “transformação”.

Foi um sucesso, toda a gente ficou admirada. Realmente conseguimos compreender que música e dança é aquilo de que ela gosta… Agora passa o tempo a perguntar quando é que há festa!

 

Ali ela foi vista como igual aos outros. Ela desfilou no palco, acompanhada por um rapaz que se disponibilizou imediatamente. No palco, ela que anda sempre de cabeça para baixo, estava toda direita, desfilou, levou assobios como os outros, levantou o vestido com as mãos para não cair tal como as outras.  Foi uma experiência indescritível! Sei que há pessoas, mesmo da comunidade educativa, que até choraram porque conheciam a Nádia no outro contexto e não neste.”

A mãe da Catarina que a penteou e maquilhou acrescentou nos comentários do Facebook “para mim foi muito enriquecedor ter contribuído para a noite mágica da “doce” Nádia. Certamente será memorável para ela. Incluir Nádia onde ela tinha direito de estar, era o objetivo principal, e foi conquistado com a boa vontade de quem lhe quer bem, e a quer ver feliz. “

A Nádia vive em Mortágua com a avó, mas bastante acompanhada pelo pai. A mãe vive em Inglaterra. A família tem fracos recursos económicos pelo que foi um grupo de pessoas extraordinárias que ajudaram a família da Nádia a tornar a sua noite de baile de finalistas numa noite inesquecível.  

 

Gastaram euros sem dúvida, mas a felicidade da Nádia não tem preço.

 A visão da psicóloga e Presidente da PeR: “Quando se acredita e se consegue ver a PESSOA para além da sua deficiência, estas “magias” acontecem. Este é o caminho da verdadeira inclusão e aquele que, na Pais em Rede procuramos seguir em todos os nossos projetos. A Pessoa (e também a família) têm de estar no Centro da nossa Intervenção, qualquer que seja a deficiência e o grau de incapacidade. E a(s) resposta(s) devem ser encontrada(s) na Comunidade.

Foi isto que aconteceu nesta situação e os que pudemos ouvir a Licínia Gomes na Assembleia Geral emocionámo-nos com a história que nos contou.

Por coincidência, no último slide de apresentação do relatório de atividades estava uma frase que retiramos de um documento do CAVI da Pais em Rede em Braga “Diversidade é chamar para festa. Inclusão é chamar para dançar.” (Vernã Myers).

No Baile de finalistas e na Comunidade de Santa Comba Dão, aconteceu INCLUSÃO!

Para continuarmos a transformar a vida das pessoas como o Núcleo Pais em Rede de Beira Dão “transformou” a vida da Nádia organizando e financiando atividades de Verão, mudando a mentalidade dos jovens futuros cidadãos do nosso país (como a Inês e a Catarina e os restantes colegas), precisamos de garantir que os núcleos têm os recursos de que necessitam. Precisamos do seu apoio. 

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